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Bahia com Tudo

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A pandemia da covid-19 gerou um aumento de cerca de 20% nos preços do mercado imobiliário - seja em Salvador, Litoral Norte ou Linha Verde. Na Ilha de Itaparica não é diferente. Segundo corretores locais, a especulação imobiliária na região provocou uma alta de até 88,9% nos preços não só dos imóveis, mas dos lotes e terrenos. Eles acreditam que seja pela aproximação do início das obras da ponte Salvador-Itaparica. A expectativa é que ela comece a ser construída até o início de 2022, após a obtenção da licença ambiental.

“Brinco que quem primeiro atravessou a ponte foi a especulação imobiliária. É algo que, de alguns anos para cá, se percebe a majoração dos preços. Parece que o povo daqui pensa que está em Angra dos Reis ou na Côte d’Azur, de tão inflacionados que estão os preços, com o prenúncio da construção da ponte. Na sede e no centro da Ilha, você não encontra nada inferior a R$ 200 mil”, relata o morador Augusto Albuquerque, advogado.

A especulação acontece quando as pessoas passam a comprar e manter um terreno ou espaço sem uso, aguardando melhorias na localidade que o valorizem e possibilitem depois a venda por um preço mais elevado. O surgimento de comércio, de escolas, de novos sistemas de transporte ou a abertura de novas vias que tornem a região mais acessível, como é o caso da ponte, aumentam o valor de terrenos e imóveis, mesmo que não haja nenhuma modificação neles.

Segundo o diretor do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Bahia (Creci-BA), Noel Silva, a melhoria do acesso a uma localidade é um fator certeiro para a especulação imobiliária. “Se você pega uma cidade do interior e anuncia a construção de uma boa estrada, de um aeroporto ou outro tipo de equipamento que possa trazer mais pessoas para aquele local, evidentemente vai acontecer uma dinâmica de aquecimento do mercado. Um exemplo disso foi o metrô de Salvador. Quando ele foi inaugurado, houve uma valorização efetiva dos imóveis situados no entorno”, pontua.

Um terreno de 440 m², por exemplo, no Condomínio Praia do Caribe, na praia da Barra do Pote, no município de Vera Cruz, custa, hoje, R$ 170 mil. Em dezembro do ano passado, a mesma área custava entre R$ 90 e R$ 100 mil. Segundo o corretor Edmilson Barbosa, dono da Esbimóveis, empresa que existe há 21 anos na região, a praia é uma das mais cobiçadas da Ilha. “Houve uma revolução por conta da perspectiva da ponte, é evidente. Agora com a quase plena definição, vai melhorar mais ainda. De um ano para cá, os terrenos aumentaram quase 100%”, afirma Barbosa.

O retorno se tornou tão lucrativo que, há dois anos, o corretor passou a comprar mais lotes por conta própria. “Minha política agora é comprar e vender, porque tem sido mais lucrativo do que vender terreno de terceiros”, conta. Ele afirma que os clientes mais comuns são casais com vida financeira estabilizada, em busca de estabelecer empreendimentos, como em Aratuba e Cacha-Pregos. Cerca de 20 pessoas por dia ligam para ele interessadas. A maioria da Bahia mesmo, de cidades como Salvador, Santo Antônio de Jesus, Valença e Feira de Santana.

Já Fátima Zucco diz que o local mais requisitado na sua corretora é perto da Praia de Conceição. “Os preços estavam mais em conta no início da pandemia, mas tiveram um grande aumento, porque a procura também aumentou, em torno de 30%. Os locais mais procurados são a da praia de Conceição e, também, a de Tairu e Barra do Pote”, afirma Fátima, que trabalha com corretagem há 12 anos.

Os principais interessados que ligam para ela são pessoas acima de 60 anos, que buscam maior qualidade de vida. Os preços das casas variam de R$ 380 mil a R$ 1,5 milhão, a depender da localização. “Está todo mundo querendo ir para a Ilha, com a história da ponte. Recebo duas a três ligações quase todo dia, principalmente de gente que está se aposentando agora, e pessoas de São Paulo”, acrescenta.

Leia mais: Governo autoriza desapropriação de áreas para construção da Ponte Salvador-Itaparica

O estudante de engenharia civil Lucas Rocha passou a comprar pequenos lotes para aumentar seu patrimônio. Até então, ele observou uma alta sutil nos preços. “Não vi nada de absurdo, apesar de ter ficado mais caro. Nos próximos anos é que o aumento vai ser muito significativo, coisa de dobrar a triplicar, por conta da ponte. Já adquiri um lote e pretendo adquirir outros, porque sei que vai ter muita especulação. É uma boa oportunidade para quem quer fazer um bom patrimônio no intervalo de cinco anos”, orienta Rocha.

Descrédito

Para corretor Marlúcio Lucas, morador da Ilha há 20 anos, os valores dos imóveis têm aumentado, porém, não por conta da construção da ponte e, sim, pelos altos preços dos materiais de construção. “Não vi ainda a notícia da construção da ponte refletir no aumento da valorização dos imóveis. Talvez por conta do descrédito, as pessoas querem ver se vai acontecer mesmo. Mas a procura, em si, tem aumentado, de dois meses para cá, e, praticamente, dobrou desde o anúncio. Só que ainda não se converteu em venda”, relata Lucas, que tem a imobiliária há 40 anos. A maior parte de seus clientes são da Bahia, sendo 30% de Salvador.

Já na imobiliária de Almiro Xavier, as vendas ainda não tiveram aumento depois da queda provocada pela pandemia. “Tem muita gente ainda esperando para ver, porque a ponte parece uma lenda. Quando começar a construir, aí sim acredito que a especulação cresça, mas, por enquanto, não está tendo”, avalia o corretor.

Cenário positivo para o mercado imobiliário em geral

Segundo o diretor do Creci-BA, Noel Silva, o movimento que acontece neste momento na Ilha é um movimento normal do mercado imobiliário. “A partir da pandemia, tivemos uma valorização desse ramo como um todo. E aqui merecem destaque os destinos de praia, como a própria Ilha e o Litoral Norte, por exemplo, porque a pandemia fez com que as pessoas repensassem onde morar e de que forma morar, muito influenciadas pelo home office”, opina.

Apesar de considerar precipitado um diagnóstico do impacto da construção da ponte na Ilha, o diretor afirma que esse impacto é uma certeza, mesmo que não agora. “É questão de tempo, a construção ainda está um pouco incerta em termos de prazo já que ainda não foi iniciada. Esse tipo de investimento demora para ficar pronto, então as pessoas ainda têm um pouco mais de receio de colocar dinheiro nisso. O metrô de Salvador, que era uma obra mais simples, acabou demorando 14 anos”, explica Silva.

O corretor de imóveis Arthur Pimentel destaca as dificuldades atuais de acesso à Ilha e como isso pode mudar com a ponte. “Sempre que temos feriados e alta estação, as pessoas sofrem para poder se deslocar até lá por conta da logística do ferry-boat, então essa demanda crescente dos últimos anos acabou se espalhando para outros locais, como a Linha Verde, que vêm se valorizando cada vez mais. A criação da ponte pode fazer com que a Ilha seja a nova Linha Verde”.

Além da movimentação de turistas e de pessoas interessadas em adquirir casas de praia, Pimentel também pontua o crescimento de novos moradores. “A partir desse acesso facilitado à Ilha, a gente vai poder perceber um movimento tanto de casa de praia quanto de moradia mesmo”, acrescenta.

O corretor ainda coloca que a ponte pode significar novos empreendimentos na Ilha, impactando o mercado imobiliário também do entorno, inclusive, de Salvador. “Se o mercado de novos empreendimentos cresce na Ilha, levando mais moradores para lá, isso pode aquecer ainda mais o mercado de usados aqui em Salvador, que já vem sendo impactado positivamente por conta da pandemia e da redução das taxas de juros”, finaliza.

O contrato entre o consórcio e o governo do estado para a construção da ponte Salvador-Itaparica foi assinado em novembro de 2020. Pelo documento, ela deve ficar pronta até novembro de 2025.

O investimento total será de R$ 5,4 bilhões, sendo R$ 1,5 bilhão do governo baiano. Segundo a Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra), todos os recursos já estão alocados. A concessão do projeto é executada por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) com dois grupos chineses, entre os maiores do mundo no segmento de construção: China Railway 20th Bureau Group Corporation (CRCC20) e China Communications Construction Company (CCCC).

Prefeitura de Itaparica diz que especulação começou com anúncio de ponte

Segundo o Secretário de Finanças e Planejamento do município de Itaparica, Emilio Franz, a especulação vem acontecendo desde o anúncio da construção da ponte, em 2010. “Logo no início, terrenos que eram vendidos aqui a R$ 3 mil, R$ 5 mil, começaram a ser vendidos a R$ 20 mil, R$ 30 mil. Depois, isso esfriou um pouco e passamos a ter aumento da ocupação irregular, com invasões, desmatamento, etc., então essa especulação veio dos dois lados. Mas desde essa notícia, a ponte vem sendo o tópico principal. Quem ia vender um terreno, dizia que ia esperar a construção da ponte ou então já vendia logo, mas por um valor mais elevado”, afirma.

A ponte deve valorizar os terrenos e imóveis pela facilidade do acesso, mas também por conta das melhorias na infraestrutura da cidade, como consequência disso. Segundo Franz, um acordo com o governo do estado foi estabelecido em 2013 para a realização de obras nas ilhas, o que é previsto em lei em casos de intervenção de grande impacto como a ponte em questão.

“Nós temos, por exemplo, deficiências em relação à internet, esgoto, energia elétrica, mobilidade urbana, etc. E isso sempre fica evidente no Verão porque saímos de 70 mil moradores e saltamos para 300 mil”, destaca o secretário.

Franz coloca ainda que o objetivo é que a ponte traga desenvolvimento contínuo para Itaparica. “A gente não quer que isso seja depois como uma espécie de ‘cidade fantasma’. Tivemos aqui um estaleiro que trouxe muita gente, demandou estrutura e depois só deixou pontos negativos. Para que isso não aconteça com a ponte, nosso pensamento está mais além. E exigimos como condicionante que a maioria da mão de obra seja local, o que vai trazer uma renda importante para os moradores das ilhas e fortalecer a economia”, finaliza.

Procuradas, a Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA) e a prefeitura de Vera Cruz não deram retorno para comentar o assunto.

Veja as etapas do projeto da ponte:

Trecho 1 – Acessos viários em Salvador
Construção das estruturas que compõem os acessos em Salvador, entre os bairros da Calçada e Água de Meninos e um conjunto de viadutos, além de dois túneis praticamente paralelos aos existentes na Via Expressa.

Trecho 2 - Ponte Salvador-Itaparica
Após conclusão do sistema viário de Salvador, começam as obras da ponte Salvador-Itaparica. Nesse trecho, a construção foi dividida em três etapas: trecho de aproximação na Ilha de Itaparica, com 4.6 km, trecho de aproximação em Salvador, com 6.9 km de extensão, e trecho estaiado, com 0.9 km de comprimento e 85 m acima do nível do mar.

Trecho 3 - Acessos viários em Itaparica
O Sistema Viário que será construído em Itaparica possui cerca de 30 km de extensão, entre a chegada da Ponte Salvador–Itaparica até a Ponte do Funil, através de uma nova rodovia projetada, que compreende a construção de viadutos incorporados em três interseções.

Trecho 4 - Recuperação e ampliação de trecho da BA-001, nas proximidades de Cacha-Pregos até a Cabeceira da Ponte do Funil.

 

O presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer nesta quinta-feira que só Deus o tira da presidência da República. Durante cerimônia de inauguração do Ramal do Agreste, obra que integra a transposição do Rio São Francisco, em Sertânia (PE), o chefe do Executivo fez acenos ao público conservador e elogios a ministros, como Marcelo Queiroga, da Saúde, presente na solenidade. "É muita coragem de querer acertar", declarou sobre o auxiliar, sem citar as críticas de especialistas em torno da condução da pandemia pelo ministro.

"Agradeço a Deus por esse momento, o nosso futuro a Ele pertence Só Ele me tira dessa cadeira presidencial", afirmou Bolsonaro. "Respeito quem seja ateu, desde que respeite quem tenha religião", acrescentou, após fazer críticas às gestões do PT e à chamada "ideologia de gênero", uma bandeira do presidente na campanha de 2018.

O presidente ainda voltou a lembrar aos apoiadores que o eleito ao Palácio do Planalto em 2022 terá direito a indicar dois ministros ao Supremo Tribunal Federal (STF) já em 2023, com a aposentadoria dos ministros Ricardo Lewandowski e Rosa Weber. "Nós temos como mudar essa nação", repetiu, sobre o processo de renovação de magistrados, enquanto enfrenta dificuldades para emplacar André Mendonça na Corte. A indicação do ex-ministro da Justiça está travada no Senado.

Além de Queiroga, estavam presentes os ministros do Turismo, Gilson Machado, e do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, e o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE)

O Ramal do Agreste faz parte das inaugurações desta semana na chamada "Jornada das Águas", lançamentos de obras para distribuição e conservação das águas do Rio São Francisco. Ao marcar presença nos eventos, Bolsonaro faz mais um "tour" pelo Nordeste, região onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu provável rival na corrida eleitoral de 2022, tem forte popularidade.

Lula foi criticado por Bolsonaro ao longo do evento. "Aquele cara vem dizendo que quer Renan Calheiros presidindo o Senado", afirmou o chefe do Executivo. Mais cedo, Bolsonaro já fez críticas a Renan (MDB-AL), senador responsável por imputar a ele nove crimes no relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. O petista tem feito acenos ao MDB de Renan, especialmente por meio do ex-senador Eunício Oliveira (MDB-CE).

A CPI ainda ganhou críticas, durante a cerimônia em Pernambuco, de Fernando Bezerra. O líder do governo afirmou que Bolsonaro foi alvo de uma das maiores injustiças da política brasileira. "A Constituição não permite que uma CPI possa investigar o presidente da República, quanto mais imputar crimes. Tenho certeza que o relatório dessa CPI vai merecer a lata do lixo da história", declarou. Ele também confirmou o Auxílio Brasil de R$ 400 - tal como o presidente, sem explicar a origem dos recursos.

A Bahia registrou, nas últimas 24 horas, 460 novos casos de Covid-19, de acordo com informações divulgadas no boletim desta quarta-feira (20), pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesab).

Ainda segundo o boletim da Sesab, seis mortes foram registradas. Desde o início da pandemia, dos 1.241.122 casos confirmados, 1.211.931 já são considerados recuperados, 2.199 encontram-se ativos e 26.992 tiveram morte confirmada.

O boletim também contabiliza 1.563.787 casos descartados e 242.536 em investigação. Na Bahia, 52.215 profissionais da saúde foram confirmados para Covid-19.

Estes dados representam notificações oficiais compiladas pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica em Saúde da Bahia (Divep-BA), em conjunto com as vigilâncias municipais e as bases de dados do Ministério da Saúde até as 17h desta quarta.

Ainda de acordo com a Sesab, com 10.446.513 vacinados contra a Covid-19 com a primeira dose ou dose única, a Bahia já vacinou 82.04% da população com 12 anos ou mais, estimada em 12.732.254.

O boletim completo está disponível no site da Sesab e ou em uma plataforma online.

Leitos Covid-19
Com base no boletim desta quarta, a Bahia tem 1.348 leitos ativos para tratamento da Covid-19. Desse total, 344 estão com pacientes internados, o que representa taxa de ocupação geral de 26%.


Desses leitos, 582 são de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto e estão com taxa de ocupação de 35% (201 leitos ocupados).

Nas UTIs pediátricas, 22 das 29 vagas estão com pessoas internadas, o que representa taxa de ocupação de 76%. Os leitos clínicos para adultos estão com 14% de ocupação e os infantis, com 45%.

Em Salvador, dos 365 leitos ativos, 124 estão ocupados (34% de ocupação geral). A taxa de ocupação dos leitos de UTI adulto é de 34% e o pediátrico está em 75%.

Ainda na capital baiana, os leitos clínicos para adultos estão com 20% de ocupação e, os pediátricos, estão com 80%.

A administradora Érica Duran saiu de um salão de beleza falido para ser dona da franquia da CleanNew em Salvador. Ela começou em 2016 como funcionária da empresa, juntou dinheiro e passou a ser franqueada em 2019. A aquisição custou cerca de R$80 mil e, em 2020, mesmo com a pandemia, a franquia fechou o ano com um faturamento de cerca de R$ 1 milhão. Cada vez mais baianos seguem o caminho de Érica. O número de franquias na Bahia subiu de 5.958 no 2º trimestre de 2020 para 6.217 unidades em 2021, o que corresponde a cerca de cinco franquias abertas por semana. O faturamento local do setor foi de cerca de R$ 1,3 bi, com crescimento de 40,8% em relação ao ano passado. Os números são da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

A franquia de Érica está no grupo das chamadas microfranquias, que exigem um investimento inicial mais baixo. Como referência, a ABF adota como padrão o valor de três vezes o PIB anual per capita como máximo de investimento para o negócio se classificar como microfranquia. Atualmente, esse valor está em 105 mil reais. Nos tempos de crise, as chamadas microfranquias são as mais procuradas. Segundo o estudo da ABF mais recente sobre esse modelo de negócios, há cerca de 600 redes no país.

Grande parte das microfranquias não possuem espaço físico e esse é o caso da franquia da CleanNew em Salvador. “Eu só tenho dois carros, uma garagem e o material que os funcionários usam”, diz Érica. Ela conta que começou a obter lucro 12 meses após a aquisição da franquia, o que é um período considerado padrão. Alguns modelos levam até 24 meses para dar retorno. Hoje, a margem mensal de faturamento está em 30%.

Segundo Érica, o segredo durante a pandemia foi o lançamento do serviço de sanitização. Somente em março e abril de 2020 o faturamento chegou a cair em até 50%, mas, depois, a franquia iniciou a recuperação. “Além da sanitização, as pessoas, ao passarem mais tempo em casa, deram mais atenção e usaram mais o ambiente interno e demandaram mais por limpeza”, explica. “Eu tiro de lição que é importante não parar de criar coisas novas, de se movimentar. Mesmo você já tendo atingido seu objetivo, se parar, o negócio vai começar a cair”, acrescenta Érica.

De acordo a diretora de Relacionamento, Microfranquias e Novos Formatos da ABF, Adriana Auriemo, as microfranquias funcionam, principalmente, como uma alternativa num período de retração econômica e redução da oferta de vagas de emprego. “No momento em que estamos vivendo, os modelos de negócio mais enxutos se transformam em uma alternativa ainda mais interessante, uma vez que oferecem um modelo de negócio pronto e testado, além do treinamento e suporte de um empresário mais experiente, o franqueador”, afirma.

Candido Espinheira, diretor da ABF Regional Nordeste, concorda e acrescenta que a maior procura por microfranquias vem de profissionais que perderam o emprego e, com o dinheiro da rescisão, decidem investir em pequenos negócios. “O cenário macroeconômico de desemprego, aliado à alta nas taxas de juros, fez crescer a procura por esse tipo de negócio, que é considerado de baixo investimento”, coloca.

O analista do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Tauan Sousa, alerta que, por outro lado, as microfranquias se caracterizam como um negócio de baixo risco e que isso, em geral, significa também baixo lucro. “Cabe ao franqueado descobrir qual é o seu perfil. Geralmente, as com menos risco têm também menos rentabilidade. Os mercados mais arriscados podem gerar maior margem de lucro. As microfranquias, proporcionalmente, têm uma boa margem de lucro, mas o faturamento é mais baixo, principalmente no início. No final, o resultado é menor do que as franquias de médio e grande porte”, explica.

Vantagens e desvantagens

Ao comprar uma franquia, a franqueadora concede o direito de uso da marca, know-how e manuais ao franqueado. Portanto, investir em franquias baratas é apostar em um negócio já testado e que já obteve sucesso no mercado, o que diminui expressivamente os riscos para o empreendedor. A franqueadora, ao vender uma unidade da sua rede, presta suporte para instalação do negócio, realiza treinamentos e transmite todo o know-how que faz o negócio se manter.

Carina Carvalho é dona de quatro franquias da Cacau Show na Bahia. Ela conta que se encantou pelo negócio durante uma palestra, na mesma hora resolveu se inscrever, passou pelo processo de seleção e abriu a primeira loja em 2013. “Eu vi uma oportunidade de negócio, a marca já era consolidada e não tinha e continua não tendo concorrente direta”, diz ela.

Carina também tem uma loja própria que começou do zero e faz um comparativo entre os dois modelos de negócio. “Abrir uma empresa do zero é muito mais difícil porque, sendo franquia, você já pega o know-how, o nome, a clientela. Não precisa se preocupar com precificação e divulgação, por exemplo. Quando você abre um negócio, é preciso fazer um plano, estratégia, formatar todo o processo. Por outro lado, a vantagem do negócio próprio é que é seu, ninguém tira de você”, destaca.

O analista do Sebrae, Tauan Sousa, alerta para alguns cuidados. “O pacote da franquia vem com uma série de ferramentas para diminuir possíveis riscos ao abrir um negócio, mas é importante dizer que os riscos continuam existindo. O sucesso do negócio vai depender da operação e da resposta do mercado. Também vale ressaltar que, enquanto franqueado, você tem que, além de pegar o royalty, seguir as regras da franquia, mesmo que às vezes você não concorde com elas. Existem uma série de procedimentos e condições previstas em contrato”, destaca.

Quais os passos para abrir uma franquia?

Para Sousa, é importante que o franqueado tenha perfil empreendedor, mesmo que o objetivo seja qual for o tamanho da franquia. “Isso significa ter vontade de trabalhar, determinação, disciplina e foco. O franqueador não é uma babá, quem vai colocar em prática e trabalhar duro é o franqueado. Então é preciso evitar o amadorismo e encarar a franquia, mesmo que pequena, de forma profissional. Uma coisa que é óbvia, mas que pode ser muito difícil na prática é não misturar o financeiro pessoal com o da empresa. Geralmente, o microfranqueado confunde as duas contas e isso atrapalha demais”, alerta.

Antes da aquisição de uma microfranquia é necessário que o interessado siga alguns passos importantes:

Conheça o sistema de franquias
Faça uma análise do seu perfil e das suas afinidades
Busque os segmentos que são do seu interesse
Avalie sua capacidade de investimento
Selecione algumas microfranquias para aprofundar a pesquisa
Faça uma análise de rentabilidade lucratividade e tempo de retorno de cada uma delas
Avalie a experiência do franqueador e o suporte que será oferecido
Verifique a saúde financeira da microfranquia e o cumprimento às exigências legais
Converse com quem já possui uma microfranquia
Procure a ajuda de especialistas

O franqueado da Unhas Cariocas, Edson Shinji Kawaguchi, sempre teve, junto com a esposa, o sonho de ter o próprio negócio, mas pesquisou bastante antes de investir e optou por uma franquia. Ele abriu a esmalteria em fevereiro de 2020, no Parque Shopping Bahia, em Lauro de Freitas, com um investimento de R$ 25 mil para a aquisição. “A princípio, a gente ia abrir na raça mesmo, mas depois, pesquisando e analisando os riscos, achamos melhor pegar uma franquia. A gente não tinha o know-how de empreendedor, nunca tínhamos mexido com comércio”, conta.

“A gente não sabia o que abrir, então eu passei a andar bastante pelos shoppings observando quais lojas tinham mais movimento. Aí os quiosques de esmalteria me chamaram a atenção. Eram sempre movimentados e tinham o fato de que não precisa agendar, é só chegar e fazer, o que era até uma demanda pessoal da minha esposa”, acrescenta Kawaguchi.

Franquias mais cobiçadas na Bahia

Segundo o analista do Sebrae, Tauan Sousa, um setor bastante procurado entre as microfranquias e franquias de pequeno porte é o de prestação de serviços. “Na área de microfranquias e franquias de pequeno porte, o setor de prestação de serviços tem muitas unidades. Isso porque é mais simples de fazer acontecer, geralmente demanda menos estrutura”, coloca. Na Bahia, segundo o balanço da ABF do 2º trimestre deste ano, o setor fica com 19,5% do total de unidades de franquia, somente atrás de Saúde, Beleza e Bem-Estar (25,3%).

Este último está entre os três setores de franquias na Bahia que, segundo Sousa, vêm apresentando crescimento e podem ser uma boa aposta de investimento. “De uma forma geral, uma área que vem crescendo muito é a de estética e bem-estar. Outra área é de pet, não só petshop, mas o segmento como um todo. Falando de Salvador, por ser uma cidade turística, todos aqueles serviços que direta ou indiretamente estão ligados ao atendimento aos turistas também vêm crescendo muito”, coloca.

De acordo com a pesquisa da ABF, as franquias mais cobiçadas na Bahia são do setor de Saúde, Beleza e Bem Estar, que responde a 33,7% da fatia de faturamento das franquias no estado (R$ 186.789.966,02). Alimentação - Food Service (13,5%) e Serviços e outros negócios (11,4%) vêm logo atrás.

Comparando o 2º trimestre de 2020 com o de 2021, o setor de Entretenimento e Lazer foi o que mais aumentou o faturamento (882,8%). Em seguida, vem Hotelaria e Turismo (397,4%) e Moda (166,4%). Quem menos cresceu foi Comunicação, Informática e Eletrônicos (0,6%). O setor com menor faturamento é Limpeza e Conservação, com 0,7%, faturando no período R$ 9.271.724,31.

Franquias para se adquirir por até 10 mil reais em 2021 segundo a ABF:

+Ágil (Serviços e Outros Negócios): Investimento entre R$ 5mil e R$ 10 mil
Drs. Protect (Serviços e Outros Negócios): Investimento entre R$ 8 mil e R$ 9 mil
UNE Imóveis em Rede (Casa e Construção): Investimento a partir de R$ 9.900
TZ Viagens (Hotelaria e Turismo): Investimento a partir de R$ 5.500
Monitorias Reforço Escolar (Serviços Educacionais): Investimento a partir de R$ 7.990
Insole (Serviços e Outros Negócios): Investimento a partir de R$ 10 mil
CI (Hotelaria e Turismo): Investimento a partir de R$ 5.500
PremiaPão (Comunicação, Informática e Eletrônicos): Investimento a partir de R$ 10 mil
Limpeza Com Zelo (Limpeza e Conservação): Investimento a partir de R$ 4 mil
Trust Intercâmbio Cultural e Turismo (Hotelaria e Turismo): Investimento a partir de R$ 4.500
Portal da Cidade (Comunicação, Informática e Eletrônicos): Investimento a partir de R$ 4 mil
Elevor (Comunicação, Informática e Eletrônicos): Investimentos a partir de R$ 10 mil
Mazze Semi Joias (Moda): Investimento a partir de R$ 9 mil
Bellaza (Saúde, Beleza e Bem Estar): Investimento de R$ 9 mil
RH Franquia Online (Serviços e Outros Negócios): Investimento a partir de R$ 9.900
DryWash (Serviços Automotivos): Investimento a partir de R$ 3.165
Clube Turismo (Hotelaria e Turismo): Investimento a partir de R$ 5.900
Tutores (Serviços Educacionais): Investimento de R$ 10 mil
Bioflora (Saúde, Beleza e Bem Estar): Investimento a partir de R$ 6.990

O presidente da República, Jair Bolsonaro, confirmou nesta quarta-feira, 20, em evento na cidade de Russas, no Ceará, o valor de R$ 400 para o Auxílio Brasil, como adiantou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Em meio à queda de braço entre as alas política e econômica do governo sobre o formato de financiamento do programa para substituir o Bolsa Família, Bolsonaro, no entanto, mesmo sem explicar a origem dos recursos, prometeu que não vai furar o teto de gastos. "Temos a lei do teto, que respeitamos", afirmou

"Ontem nós decidimos, como está chegando ao fim o auxílio emergencial, dar uma majoração para o antigo programa Bolsa Família, agora chamado Auxilio Brasil, a 400 reais", declarou o presidente em evento do edital para construção do Ramal do Salgado, um canal do projeto de integração do rio São Francisco. "Temos a responsabilidade de fazer com que recursos saiam do Orçamento da União, ninguém vai furar teto, ninguém vai fazer nenhuma estripulia no Orçamento. Mas seria extremamente injusto deixar 17 milhões de pessoas com valor tão pouco (sic) no Bolsa Família", acrescentou.

Como revelou o Broadcast, Bolsonaro decidiu por um benefício de R$ 400 para o substituto do Bolsa Família até dezembro de 2022, ano eleitoral. Desse valor, cerca de R$ 200 seriam um pagamento temporário, com metade disso fora do teto de gastos. A possibilidade de furar a regra considerada a âncora fiscal do País gerou ontem forte repercussão negativa no mercado financeiro e dentro da equipe econômica.

Apesar da promessa de Bolsonaro, o governo flerta com a flexibilização do teto para justamente conseguir arcar com R$ 400 de benefício. Quando a ideia era de R$ 300, já havia a ideia de limitar o pagamento de precatórios através de uma PEC, justamente pelo espaço reduzido do teto de gastos enquanto o Congresso pressiona por mais emendas parlamentares,

O chefe do Executivo ainda prometeu a conclusão das obras de transposição do Rio São Francisco e assumiu que a carga tributária do Brasil está elevada. "Mas, no meu governo, nada foi majorado", declarou, sem citar o ajuste para cima no IOF justamente para financiar parte do Auxílio Brasil.

 

O Colégio Antônio Vieira lançou nesta semana o edital que vai selecionar alunos para estudar de graça no turno noturno do Ensino Médio da escola a partir de 2022. As inscrições acontecem de 5 a 9 de novembro, pelo site do colégio.

São disponibilizadas 40 vagas exclusivas para ingresso na 1ª série do Ensino Médio. Os alunos poderão continuar nos três anos previstos para concluir a etapa escolar, desde que cumprindo os critérios exigidos, como regularidades na aulas e renda familiar de até um salário mínimo e meio.

Também é necessário que o aluno seja residente no município de Salvador ou região Metropolitana. A Bolsa de Estudo é anual, individual, pessoal e intransferível, não sendo renovada automaticamente para o ano letivo subsequente. Para que isso ocorra, o aluno contemplado deve passar por um novo processo de avaliação socioeconômica anualmente.

O Vieira destaca a qualidade do curso, que conta com profissionais que participam dos processos de formação de docentes oferecidos anualmente pela instituição à toda equipe pedagógica.

 

Uma carga com cerca de 506 toras de Aroeira - madeira exótica, presente em biomas como o Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica e ameaçada de extinção - foi recuperada por equipes dos 3º e 4º Pelotões (Santa Rita de Cássia e Mansidão) da 86ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Formosa do Rio Preto), na noite do domingo (17). Material está avaliado em cerca de R$ 200 mil.

As equipes iniciaram a ação, após os policiais militares de Mansidão desconfiarem da passagem de um caminhão da marca Mercedes Benz, placa JLQ-4378, transportando madeira pela cidade. Eles acompanharam o veículo e, na altura da BA-225, conseguiram interceptá-lo. Conforme o comandante do 4º Pelotão, sargento PM Jônatas Cardoso, geralmente caminhões chegam no município com carga e saem vazios, por não ser um município agrícola.

“A partir dessa suspeita, mesmo com a voz de parada, o condutor desceu do veículo e fugiu por uma área de mata fechada. Realizamos rondas junto com os colegas do 3º Pelotão, mas ele não foi encontrado”, disse.

Após o material ser escoltado pelos policiais até o pátio da Secretaria do Meio Ambiente e Turismo (Sematur) de Santa Rita, equipes da Companhia Independente de Polícia e Proteção Ambiental (Cippa) de Lençois e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) foram até o local e confirmaram que se tratava da Aroeira.

A portaria normativa 83 de 26 de setembro de 1991, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), classifica essa extração como ilegal. O aspirante-a-oficial Felipe Franco Martins, comandante da unidade policial de Santa Rita de Cássia, contou que a suspeita é de que o veículo saiu do Piauí e teria destino o estado de Goiás.

“Nós sabemos que é contumaz o tráfico de madeiras no sul do Piauí e que alguns caminhoneiros usam as estradas que limitam os nossos municípios transportando diferentes cargas. Isso será apurado com o trabalho de investigação da nossa co-irmã, a Polícia Civil”, disse. A madeira apreendida foi encaminhada para o pátio da Sematur e o caminhão escoltado pelos PMs para a Delegacia Territorial (DT) de Santa Rita de Cássia.

A pesquisa Global Trustworthiness Index 2021, realizada pelo Instituto Ipsos, aponta que o lugar mais alto do pódio no Brasil é reservado aos professores. Os profissionais da educação foram citados por 68% dos brasileiros como digna de confiança, empatada com os cientistas. Em segundo lugar ficaram os médicos, com 66%. Em terceiro, mesmo que em menor proporção, ficaram os membros das Formas Armadas e os homens e mulheres comuns, ambos com 35%.

Se os professores estão em primeiro lugar, em contrapartida, os menos confiáveis são os políticos em geral, com 77% da opinião dos brasileiros. O segundo lugar na lista negativa não foi muito diferente: 65% dos entrevistados no país responderam "os membros do governo". Para completar o pódio, os banqueiros não são confiáveis para 47%.

A pesquisa foi realizada em 28 países e desses o Brasil e o Chile são os que mais confiam nos professores, com percentual de 68% dos respondentes demonstrando confiança. Em segundo lugar está a Rússia (67%) e, na terceira posição, ficam empatados Malásia, China e Arábia Saudita (cada um deles com 65%). Em contrapartida, os japoneses (22%), sul-coreanos (33%) e alemães (40%) são as nacionalidades que menos enxergam a profissão de professor como confiável.

Já os ofícios que menos inspiram confiança, de acordo com a média global, são os políticos em geral (citados por 63% como não-confiáveis), os membros do governo (54%) e os executivos publicitários (37%) - esses últimos não ganharam destaque na lista brasileira.

A pesquisa foi realizada on-line e ouviu 19.570 entrevistados com idades entre 16 e 74 anos. Os dados foram coletados de 23 de abril a 07 de maio de 2021. A margem de erro para o Brasil é de 3,5 pontos percentuais. Confira abaixo a lista completa das profissões e o seu percentual de confiabilidade:

1º - Professores (68%)
1º - Cientistas (68%)
2º - Médicos (66%)
3º - Membros das forças armadas (35%)
3º - Homens e mulheres comuns (35%)
4º - Policiais (30%)
5º - Jornalistas (34%)
6º - Pesquisadores de opinião (IBGE, IBOPE...) (33%)
7º - Funcionários Públicos (27%)
8º - Apresentadores de televisão (26%)
8º - Juízes (26%)
9º - Padres, clérigos e pastores (25%)
10º - Empresários (23%)
11º - Advogados (22%)
12º - Publicitários (19%)
13º - Banqueiros (14%)
14º - Trabalhadores do governo (9%)
15º - Políticos em geral (6%)

 

No primeiro dia do projeto piloto de testagem contra a covid-19 nas escolas públicas de Salvador, 530 alunos e funcionários das redes estadual e municipal foram testados. No total, serão 180 mil pessoas a terem amostras coletadas nos colégios baianos, nos próximos três meses. Até agora, 240 dos 417 municípios da Bahia aderiram à campanha, fruto do projeto Partiu! #Testagem nas Escolas, coordenado pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde da Salvador (SMS).

Foi no Colégio Estadual Eduardo Bahiana, no bairro de Fazenda Grande II, que a coleta começou, nesta segunda-feira (18). Segundo a diretora, Ivani Almeida, 215 pessoas foram testadas na escola nesta segunda, pela manhã, e outras 315 pela tarde. A merendeira Gersonita Melo, 57, foi uma delas. “Nunca peguei covid. Já teve até meu amigo, que teve lá em casa, que pegou, mas, toda vez que faço o teste, dá negativo. Fé em Deus vai dar negativo dessa vez, de novo”, relata Gersonita, que trabalha no colégio há 11 anos.

Durante o período em que o amigo dela se infectou, ela ficou 14 dias afastada do trabalho. Esse também é o protocolo a ser adotado nesse projeto. Segundo a SMS, além do afastamento dos casos positivos, haverá um monitoramento dos contactantes diretos. As escolas ainda devem coletar dados da comunidade, diariamente, a partir da checagem de uma lista de sintomas. Nenhuma família deve levar o aluno à escola com sintomas gripais.

CIRCULAÇÃO VIRAL

Não é preciso ter sintomas para fazer a coleta, pois o objetivo é medir a circulação da carga viral da covid-19, segundo o secretário municipal da saúde de Salvador, Leo Prates. “Houve uma preocupação das mães e pais com o volume de pessoas que estão dentro das unidades escolares. Por isso, é importante fazer o acompanhamento da circulação viral, por amostragem. É um estudo parecido com o inquérito epidemiológico que fizemos”, explica Prates.

A orientação das secretarias da saúde para o resto do público ainda é testar somente se houver sintomas. “Faremos esse trabalho somente nas escolas, que vivem um momento diferenciado em relação à cidade, porque, agora, a rede estadual também volta de forma 100% presencial”, esclarece o secretário. “Nosso objetivo é garantir a segurança dos alunos e trabalhadores da educação, tranquilizando os pais”, declara Leo Prates.

Inicialmente, somente os alunos acima de 13 anos serão testados, além dos funcionários. Até a próxima sexta-feira (22), os estudantes menores de 12 anos também serão contemplados. A amostra é aleatória. De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), amostras de cerca de 20% da comunidade escolar serão coletadas. Ao todo, são 32.235 professores na rede estadual de ensino, na Bahia, além de 900 mil alunos. Na rede municipal de Salvador, são 163 mil estudantes e 7.600 professores.

O tipo de teste usado é o antígeno ou RT-PCR. Caso alguém teste positivo, um novo exame será feito para contraprova. Eles serão analisados pelo Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen-BA). As equipes de epidemiologistas e sanitaristas visitarão uma escola pública diferente a cada dia. O roteiro é definido semanalmente. A próxima escola será no Distrito Sanitário de Brotas, na Escola Municipal Visconde de Cairu.

Roteiro completo:

18/10 - Colégio Estadual Eduardo Bahiana - DS Cajazeiras
19/10 - Escola Municipal Visconde de Cairu - DS Brotas
20/10 - Escola Municipal Iacy Vaz Fagundes - DS Barra/Rio Vermelho
21/10 - Colégio Estadual Luiz Fernando Macedo Costa - DS Cajazeiras
22/10 - Escola Municipal Maria Constância - DS Cabula/Beiru
Quase 43 mil adolescentes não tomaram 1ª dose

Além do #Partiu! Testagem nas Escolas, a secretaria municipal da saúde faz outra ação no ambiente escolar: a busca ativa dos alunos faltosos da vacinação contra a covid-19. De acordo com a SMS, são 42.639 adolescentes entre 12 e 17 anos que estão habilitados a se imunizar na capital baiana, mas que ainda não foram aos postos de saúde. Por isso, a secretaria está indo até eles.

“Estamos indo nas escolas, com algumas equipes volantes, vacinando os alunos que estão autorizados a vacinar pelo Ministério da Saúde. São quase 43 mil, em Salvador, entre 12 e 17 anos. Continuamos nessa busca ativa para garantir a segurança do ambiente escolar”, completa Leo Prates. Além dele, estiveram no início da mobilização, no colégio Eduardo Bahiana, a secretária da Saúde do Estado da Bahia, Tereza Paim, e o superintendente da Secretaria de Educação do Estado, Manoel Calazans.

Segundo o vacinômetro da SMS, são 2.127.887 soteropolitanos que tomaram uma dose ou a dose única na cidade. Isso corresponde a 73,3% dos habitantes. Já em relação a segunda dose, são 1.389.660 imunizados, ou seja, 50% da população. Os que tomaram a terceira dose, como idosos e trabalhadores da saúde, somam 122.465 pessoas.

 

Ainda é comum escutar que a covid-19 não atinge tanto assim as crianças. Mas, por mais que a maioria esmagadora das quase 27 mil vítimas da doença na Bahia não seja dos pequenos, cada uma dessas mortes representa um impacto em uma família, e, muitas vezes, uma criança que fica sem pai e/ou mãe. Entre 16 de março de 2020 e 24 de setembro de 2021, ao menos 646 crianças de até seis anos de idade na Bahia ficaram órfãos de um dos pais vítimas da covid-19. O estado ocupa o quinto lugar no ranking nacional de registros absolutos e a 18ª posição se considerados os números a cada 100 mil habitantes (confira a lista completa no final da reportagem).

Das 646 crianças, 21,3% (138) não tinham completado nem ao menos 1 ano. Já 15,6% (101) tinham 1 ano de idade, 16,5% (107) 2 anos de idade, 13,9% (90) 3 anos, 10,2% (66) 4 anos, 11,6% (75) tinham 5 anos e 9,9% (64), 6 anos. Os dados obtidos pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), foram levantados com base no cruzamento entre os CPFs dos pais nos registros de nascimentos e de óbitos feitos nos 685 Cartórios de Registro Civil do estado desde 2015, quando as unidades passaram a emitir o documento diretamente nas certidões de nascimento das crianças recém-nascidas em toda região baiana.

O levantamento aponta ainda que cinco pais faleceram antes mesmo do nascimento de seus filhos, enquanto três crianças, de até seis anos, perderam pai e mãe vítimas da covid-19. Esse é o caso da pequena Agnes, agora com 11 meses. A bisavó, a avó e a mãe dela morreram no intervalo de uma semana. O pai, que ficou internado por cerca de 40 dias, morreu no dia 18 de abril deste ano.

Agnes então ficou sob os cuidados do casal Maiquele e Kelly, que é irmã do pai biológico de Agnes. A bebê chegou com covid-19 e as duas também foram infectadas, mas todas se recuperaram bem. “Desde a hora em que recebemos a notícia do falecimento do pai, em nenhum momento a gente pensou em ver como ficaria a situação, já aceitamos a missão que Deus estava dando para a gente. Já tínhamos o plano de adotar daqui a uns cinco anos, mas não foi no nosso tempo, foi no tempo de Deus. Agnes é o que vem trazendo a nossa alegria diária diante de toda essa tragédia”, conta Maiquele de Jesus, 26 anos.

Mesmo tão pequena, segundo Maiquele, Agnes sente a falta dos pais. “Nas datas de falecimento a gente vê que ela chora, fica de dengo, eu acredito que ela sente. No dia em que a mãe dela faleceu, ela chorou o dia inteiro. Quando passa, ela volta a ser sorridente. Porque Agnes é muito alegre, não é de ficar chorando e abusando, é uma menina de luz, que traz paz diante das turbulências da vida”, acrescenta.

Com o consentimento do avô materno e da avó paterna, o casal entrou com um processo pela guarda de Agnes, que tinha 4 meses na época. A guarda provisória já foi concedida pelo período de um ano e já foi aberto o pedido da guarda definitiva. “Já estamos desde agora deixando a história dela bem aberta em casa. Revelamos fotos que ficam espalhadas aqui para ela ir crescendo e vendo as imagens dos pais. Quando ela tiver o entendimento, vamos sentar e conversar. Temos uma psicóloga que acompanha a família, isso tudo para que não seja um choque para ela”, afirma Maiquele.

Já Luan*, 5 anos, perdeu a mãe, Luana*, que faleceu de covid-19 em maio, aos 40 anos. Ele ficou sob os cuidados do pai, mas quase o perdeu também. A mãe e o pai do menino foram internados no mesmo dia. Ela faleceu uma semana depois, ele teve alta quase três meses depois.

“Os médicos pediam muito que a família orasse por ele, a gente realmente teve medo de que Luan* ficasse sem a mãe e sem o pai”, diz uma amiga de Luana*.

“Foi muito complicado porque o processo de recuperação do pai é lento, ele ainda não está 100%. Felizmente, ele tem uma rede de apoio muito forte formada por familiares e amigos, mas ela era o porto seguro da família”, diz a amiga.

Ela acrescenta outro fator que aumenta os desafios da família: Luan* é autista. “Isso faz com que ele demande mais cuidados. Vem sendo um desafio e ele é acompanhado por um psicólogo”, explica.

A mãe de Luan* e a amiga se conheceram na faculdade de pedagogia e o plano das duas era comemorar os 13 anos de formadas em julho de 2022, vislumbrando o fim da pandemia.

“A gente precisa parar de subestimar a pandemia e entender que ela ainda não acabou. O vírus continua matando, mesmo que de forma desacelerada. Mas a mensagem que eu deixo é para a gente acreditar na ciência, porque a vacina vem salvando muitas vidas. Infelizmente, ela chegou tarde no nosso país, não chegou a tempo de salvar minha amiga, que iria se vacinar na semana em que ela morreu”, finaliza a pedagoga.

Órfãos da covid-19 no Brasil

No Brasil, de 16 de março de 2020 a 24 de setembro de 2021, ao menos 12.211 crianças de até 6 anos de idade ficaram órfãs de um dos pais vítimas da covid-19. Segundo os dados levantados pela Arpen-Brasil, 25,6% dessas crianças que perderam um dos pais não tinham completado 1 ano. Já 18,2% tinham 1 ano de idade, 18,2% 2 anos de idade, 14,5% 3 anos, 11,4% 4 anos, 7,8% tinham 5 anos e 2,5%, 6 anos. Os números mostram ainda que 223 pais faleceram antes do nascimento dos filhos, enquanto 64 crianças até a idade de 6 anos perderam pai e mãe.

O presidente da Arpen-Ba, Daniel Sampaio, explica como os dados foram obtidos. “Nós temos um banco de dados tanto para óbito quanto para nascimento. A partir do número elevado de vítimas da covid-19 aqui no Brasil, decidimos fazer uma análise qualitativa desse banco de dados, cruzando algumas informações, para chamar a atenção da população e mostrar que o impacto vai além do número de mortos em si”.

Desde 2015, uma parceria da ARPEN Brasil com a Receita Federal possibilitou que o número de CPF das crianças fosse gerado por ocasião do registro de nascimento. Os cartórios de registro civil foram habilitados a emitir o CPF gratuitamente e, na emissão da certidão de nascimento, o CPF também é gerado, sendo interligado com o CPF dos genitores. “O que fizemos foi cruzar os CPFs dos genitores das crianças com os CPFs de pessoas que tiveram o óbito por covid-19 registrado nesse período de pandemia”, acrescenta Sampaio.

Desde o ano passado, vem se discutindo a possibilidade do Governo Federal prestar um suporte para as crianças que perderam seus pais para a covid-19. Ao final do seus trabalhos, a CPI da covid deve apresentar uma série de propostas a respeito da pandemia e, entre elas, uma pensão de R$ 1 mil para órfãos de vítimas do coronavírus.

A pensão para órfãos seria paga a qualquer a família que tenha ao menos uma criança ou um adolescente cujo genitor tenha morrido em decorrência da infecção por coronavírus e não tenha contribuído para a Previdência Social. O beneficiário receberia R$ 1 mil por mês até completar 18 anos.

Impacto sobre as crianças

A psicóloga e psicanalista Niliane Brito, da clínica Spazio Psi, destaca que cada criança vai sentir o impacto do luto dos pais de uma maneira diferente, então é preciso individualizar o cuidado e prestar atenção aos sinais que ela dá. “O luto para uma criança A não vai ser o mesmo para uma criança B, mesmo que elas tenham a mesma idade e tenham ambas perdido os pais para a covid. Mas é importante que haja uma despedida. Na covid esse ritual fica comprometido por conta do risco de contaminação, mas é fundamental que seja feito, mesmo que de outras formas”, afirma.

Segundo Niliane, a partir da perda, é comum que a criança perca a referência, ficando sem rumo. “Quando ela perde pai e mãe, por mais que vá para os cuidados de outra pessoa da família, vai ser uma nova configuração, com uma rotina modificada radicalmente”, diz. A partir disso, a criança pode desenvolver comportamentos não saudáveis que servem como sinal de alerta para os responsáveis buscarem o acompanhamento de um psicólogo. “O principal deles é a agressividade, com crianças que mordem ou beliscam. Muitas delas, independente da idade, às vezes não sabem externalizar corretamente suas emoções e o corpo acaba falando por elas”, coloca.

A psicóloga alerta ainda que, se o processo de luto não for corretamente vivido, o indivíduo pode desenvolver ansiedade, gatilhos, dificuldade de confiar nas pessoas e outros transtornos emocionais que terão impactos até a vida adulta. “Às vezes uma criança que perdeu o pai ou a mãe para a covid pode passar a se desesperar a qualquer sinal de doença, assim como pode também acreditar que foi abandonada ou desenvolver uma ansiedade muito grande em relação ao seu futuro”, finaliza.

A reportagem tentou contato com o Conselho Regional de Serviço Social da Bahia (Cress-Ba) para entender o que acontece com uma criança que perde pai e mãe, mas não teve sucesso. A Coordenadoria da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-Ba) também foi procurada, mas não respondeu até o fechamento da reportagem.

Crianças até 6 anos que perderam os pais por covid-19 no Brasil:

Rondônia - 244 órfãos no total; 13,44 órfãos a cada 100 mil habitantes
Goiás - 809 órfãos no total; 11,22 órfãos a cada 100 mil habitantes
Mato Grosso - 378 órfãos no total; 10,59 órfãos a cada 100 mil habitantes
Acre - 99 órfãos no total; 10,91 órfãos a cada 100 mil habitantes
Amapá - 73 órfãos no total; 8,31 órfãos a cada 100 mil habitantes
São Paulo - 3.836 órfãos no total; 8,22 órfãos a cada 100 mil habitantes
Sergipe - 168 órfãos no total; 7,18 órfãos a cada 100 mil habitantes
Santa Catarina - 506 órfãos no total; 6,89 órfãos a cada 100 mil habitantes
Paraíba - 267 órfãos no total; 6,57 órfãos a cada 100 mil habitantes
Paraná - 753 órfãos no total; 6,49 órfãos a cada 100 mil habitantes
Distrito Federal - 199 órfãos no total; 6,43 órfãos a cada 100 mil habitantes
Amazonas - 271 órfãos no total; 6,34 órfãos a cada 100 mil habitantes
Espírito Santo - 258 órfãos no total; 6,27 órfãos a cada 100 mil habitantes
Tocantins - 88 órfãos no total; 5,47 órfãos a cada 100 mil habitantes
Roraima - 91 órfãos no total; 5,01 órfãos a cada 100 mil habitantes
Rio Grande do Sul - 567 órfãos no total; 4,94 órfãos a cada 100 mil habitantes
Rio de Janeiro - 774 órfãos no total; 4,43 órfãos a cada 100 mil habitantes
Bahia - 646 órfãos no total; 4,31 órfãos a cada 100 mil habitantes
Mato Grosso do Sul - 121 órfãos no total; 4,26 órfãos a cada 100 mil habitantes
Ceará - 385 órfãos no total; 4,16 órfãos a cada 100 mil habitantes
Pernambuco - 366 órfãos no total; 3,78 órfãos a cada 100 mil habitantes
Pará - 310 órfãos no total; 3,53 órfãos a cada 100 mil habitantes
Rio Grande do Norte - 112 órfãos no total; 3,14 órfãos a cada 100 mil habitantes
Alagoas - 97 órfãos no total; 2,88 órfãos a cada 100 mil habitantes
Minas Gerais - 579 órfãos no total; 2,70 órfãos a cada 100 mil habitantes
Piauí - 72 órfãos no total; 2,18 órfãos a cada 100 mil habitantes
Maranhão - 142 órfãos no total; 1,98 órfãos a cada 100 mil habitantes

Os Números são da ARPEN e a estimativa populacional do IBGE, divulgada em agosto deste ano


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