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Crimes cibernéticos crescem 60% na pandemia

Crimes cibernéticos crescem 60% na pandemia

Em 2019, o Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (Cert.br ) registrou 875.697 incidentes de segurança. Os dados de 2020 e 2021 ainda não foram divulgados oficialmente, mas relatórios de empresas privadas sugerem um aumento de até 60% nos registros de incidentes, especialmente, nesses tempos de isolamento social, quando as pessoas foram forçadas a digitalizar a vida, seja para fins de teletrabalho, ensino remoto ou compras e vendas pela Internet.

De acordo com o advogado especialista em Direito Digital e Privacidade. Pós-graduado em Direito Digital e Compliance pelo IBMEC, Victor Prata, as invasões acontecem de diversas formas e estão relacionadas, principalmente, a falhas humanas dos colaboradores que, muitas vezes, não são devidamente instruídos em relação às práticas de segurança da informação e às obrigações em relação à proteção de dados pessoais.

Victor Prata defende o treinamento dos colaboradores para reduzir a incidência do erro humano nos crimes digitais (Foto: Eduardo Almeida/ Divulgação)
“No momento, os ataques mais comuns no Brasil são os de phishing, no qual o invasor envia um link malicioso ou um e-mail suspeito oferecendo um desconto inesperado. A partir deste momento, embora o computador possa ter toda a tecnologia de segurança disponível, o usuário clica no link e ‘abre a porta’ para o hacker acessar o dispositivo”, esclarece.

Para Victor Prata, além do investimento em infraestrutura técnica de segurança da informação, treinamento de pessoal em relação ao uso seguro dos dispositivos (computadores, celulares, roteadores, entre outros), é fundamental a criação de políticas internas como Política de Segurança da Informação e Plano de Resposta a Incidente; estruturação de contratos com empregados, clientes e fornecedores em relação ao uso de dados.

“Para a estruturação da segurança da informação, é necessário que a empresa faça a contratação de serviços VPN, servidores de e-mail confiáveis, softwares legítimos, uso de antivírus, segurança em nuvem e servidores seguros”, afirma.

Elo frágil

Com uma postura parecida, o sócio do escritório Prado Vidigal Advogados, especializado em direito digital, privacidade e proteção de dados, Luis Fernando Prado concorda que, em matéria de segurança da informação e proteção de dados, o elo mais frágil quase sempre é o agente humano. “Portanto, a principal recomendação é investir em treinamentos e medias constantes e reiteradas de conscientização de pessoal, com o objetivo de mitigar a possibilidade de violações de dados pessoais e segredos empresariais”, explica.

Para ele, essa capacitação das equipes é uma medida que, em regra, não exige investimento tão elevado (se comparada a outros controles aplicáveis), e que tende a diminuir significativamente riscos.

“Além disso, devem as empresas analisar, com auxílio de profissionais especializados, se as regras internas e tecnologias utilizadas são proporcionais ao porte, faturamento e complexidade da organização. Atitudes simples, como manter sistemas atualizados, são cruciais para diminuir as chances de que algo indesejado aconteça”, completa.

Victor Prata enfatiza que os crimes cibernéticos, em verdade, muitas vezes, costumam ser os mesmos crimes praticados de forma off-line, porém praticados com o advento da Internet e de dispositivos digitais como celulares, computadores ou dispositivos de IoT.

“Os crimes de falsificação ideológica que ocorre na Internet através do roubo de dados pessoais para criação de cartões de crédito ou de contas digitais é um dos mais comuns”, esclarece, mas lembra que o furto, onde o invasor acessa o celular ou computador da vítima e faz transferências bancárias ou via conta digital, também é muito frequente. “Infelizmente, outro crime bastante comum é a extorsão, no qual o invasor acessa arquivos, fotos e vídeos da vítima e exige pagamento como mediante a ameaça de divulgação das informações”, completa.

LPGD

O professor de Direito e assessor jurídico do Tribunal de Justiça da Bahia responsável pela LGPD, Danilo Santana lembra que a Lei Geral de Proteção de Dados é um marco no meio jurídico e, como tal, inovou ao definir regras para o tratamento de dados.

A lei considera como dados toda operação realizada com dados pessoais, como as que se referem a coleta, produção, recepção, classificação, utilização, acesso, reprodução, transmissão, distribuição, processamento, arquivamento, armazenamento, eliminação, avaliação ou controle da informação, modificação, comunicação, transferência, difusão ou extração.

Nesse contexto, a falha no tratamento de dados pelo controlador e/ou operador, significa dizer, aquele quem define e quem realiza o tratamento, respectivamente, pode gerar sanções para as empresas, desde a reparação de danos individuais ao titular dos dados, a chamada indenização, até sanções administrativas, como multas.

“Importante dizer que, a própria lei define, o vazamento não será punido quando comprovada culpa exclusiva do próprio titular do dado ou de terceiros ou que não houve violação à legislação que rege a proteção de dados, ou que o tratamento de dados pessoais foi realizado por outra pessoa”, esclarece, ressaltando que assim deve ser analisada a origem do vazamento para a definição de quem será a responsabilidade.

Victor Prata lembra que no sentido da LGPD, os colaboradores da empresa e os consumidores, enquanto pessoas naturais, deverão ter os seus dados protegidos, tendo em vista que depositaram a confiança de que os respectivos dados seriam armazenados e gerenciados corretamente por aquela empresa. “É de extrema importância que as empresas disponibilizem dispositivos corporativos (como celulares, computadores e roteadores) dotados de sistemas operacionais e programas legítimos, disponibilizem VPN segura para acesso aos servidores e comunicação interna”, finaliza.

8 passos para uma empresa mais segura

1. Invista no treinamento de pessoal em relação ao uso seguro dos dispositivos (computadores, celulares, roteadores, entre outros);

2. Elabore um manual com as políticas internas de segurança da informação e difunda as normas entre os colaboradores;

3. Com a devida orientação técnica, vale pensar num plano de respostas em caso de invasão;

4. Estruture os contratos com empregados, clientes e fornecedores em relação ao uso de dados;

5. As empresas devem manter em suas redes a utilização de criptografia e VPN, além da otimização do mecanismo de autenticação, redundância de sistemas;

6. Os programas devem estar sempre atualizados;

7. É importante que os backups sejam realizados em diferentes espaços para ajudar a aumentar no nível de segurança dos dados das instituições;

8. Todas as ações devem ser implementadas a partir de contratos seguros que garantam a confidencialidade dos dados da organização.

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  • Avião cai e sete pessoas morrem no interior de São Paulo

    As sete pessoas que estava na aeronave King Air 360 que caiu em Piracicaba, interior de São Paulo, na manhã desta terça-feira (14), morreram. Além dos dois tripulantes, os cinco passageiros, todos da mesma família, tiveram os corpos carbonizados e vieram a óbito ainda no local.

    Dentre estas estava o empresário Celso Silveira Mello Filho, que era sócio da empresa Raízen (referência internacional em bioenergia), acionista da Cosan (um dos maiores conglomerados sucroalcooleiros do mundo) e ex-presidente do clube de futebol XV de Piracicaba.

    Em nota, a Raízen confirmou a fatalidade. "Celso era acionista e irmão do presidente do Conselho de Administração da companhia, Rubens Ometto Silveira Mello."

    Segundo a empresa, também estavam no avião a esposa de Celso, Maria Luiza Meneghel, seus três filhos, Celso, Fernando e Camila, o piloto Celso Elias Carloni e o copiloto Giovani Gulo.

    Veja a lista de vítimas:

    Celso Mello, empresário, 73 anos;

    Maria Luiza Meneghel, esposa de Celso, 71 anos;

    Camila Meneghel Silveira Mello Zanforlin, filha, 48 anos;

    Celso Meneghel Silveira Mello, filho, 46 anos;

    Fernando Meneghel Silveira Mello, filho, 46 anos;

    Celso Elias Carloni, piloto, 39 anos;

    Giovani Dedini Gulo, copiloto, 24 anos.

    Acidente
    A queda foi em uma área verde próximo à Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec), no bairro Santa Rosa. Com a queda, teve início um incêndio na mata ao lado da Fatec.

    Após atingir alguns eucaliptos durante a queda, a aeronave explodiu e teve início um incêndio na mata. Policiais e bombeiros foram enviados ao local para controlar as chamas e a área foi isolada.

    Conforme testemunhas, o bimotor perdeu altura e acabou caindo em uma área de mata no bairro Santa Rosa, depois de se chocar com alguns eucaliptos.

    A explosão causou um incêndio no local, que fica próximo à Faculdade de Tecnologia.

    Equipes do Corpo de Bombeiros encontraram o avião em chamas e constataram que não havia sobreviventes.

    Mesmo assim, equipes do Samu estiveram no local. A área da queda fica atrás de um condomínio residencial.

    O delegado do 5º Distrito Policial, Fábio Rizzo de Toledo, acompanhou as buscas a possíveis sobreviventes. Segundo ele, o avião havia decolado do Aeroporto de Piracicaba e caiu logo em seguida, por volta das 9 horas.

    Toledo disse que serão necessários exames para a confirmação da identidade das vítimas e a liberação dos corpos, já que os corpos ficaram carbonizados. A Polícia Civil vai apurar em inquérito as causas do acidente.

    A Força Aérea Brasileira (FAB) informou, em nota, que o Quarto Serviço Regional do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foi acionado e já enviou uma equipe de peritos para o local em que a aeronave de matrícula PS-CSM se acidentou.

    "Na ação inicial, os investigadores investigam indícios, fotografam cenas, retiram parte da aeronave para análise, ouvem relatos de testemunhas e reúnem documentos." Conforme o órgão, a conclusão das investigações terá o menor prazo possível.

    A morte do empresário, membro de uma família que é referência no agronegócio brasileiro, causou grande repercussão em Piracicaba. Além de acionista da Cosan, Celso era irmão do presidente do Conselho de Administração da Cosan, Rubens Ometto Silveira Mello.

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