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'Pandemia não está nem perto do fim', diz diretor-geral da OMS

'Pandemia não está nem perto do fim', diz diretor-geral da OMS

O Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom disse nesta terça-feira que a alta no número de casos de covid-19, por conta da cepa ômicron, torna provável que novos variantes do coronavírus surjam. Em coletiva à imprensa, Tedros Adhanom informou que na semana passada foram registrados mais de 18 milhões de casos da doença.

"O número de mortes permanece estável até o momento, mas nos preocupamos com o impacto da ômicron está tendo em sistemas de saúde exaustos e sobrecarregados", afirmou. Tedros afirmou que "esta pandemia não está nem perto do fim" e que é "enganosa" a narrativa de que a doença provocada pela ômicron seja leve, ainda que na média seja menos grave.

O diretor reforçou sua preocupação especialmente com países onde a taxa de vacinação ainda é baixa. Tedros pontuou que, ainda que as vacinas tenham menor eficácia em prevenir a infecção e transmissão da ômicron em relação às variantes anteriores, ainda são "excepcionalmente boas em prevenir casos sérios da doença e mortes".

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  • Salvador tem somente 4,8% crianças vacinadas contra o sarampo

    Após mais da metade do período de campanha, em Salvador, apenas 4,8% do público-alvo para a vacinação contra o sarampo receberam o imunizante, o que corresponde a 10.144 das crianças de 6 meses a menores de 5 anos. Os baixos números acontecem em todo o estado. De acordo com a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), apenas 11,7% das crianças baianas foram imunizadas na campanha nacional que teve início no dia 4 de abril e vai até 3 de junho. A baixa adesão, somada ao surgimento de casos suspeitos da doença, vem preocupando autoridades.

    Após um surto de sarampo em 2019, a Bahia não registra casos da doença desde 2020. Mas, em 2022, até agora, já são 52 casos suspeitos. Desses, 27 foram descartados e 25 seguem em investigação. O sarampo é extremamente contagioso e chega a ser seis vezes mais transmissível que a covid-19. A doença pode levar à óbito, principalmente, crianças com menos de 5 anos. Em 2022, já há casos confirmados da doença ao menos em São Paulo e no Amapá.

    A técnica de vigilância epidemiológica da Sesab, Adriana Dourado, alerta para a queda da cobertura vacinal no estado. Segundo ela, em 2019, o percentual foi de 84,75%; em 2020, de 78,48% e, em 2021, o percentual caiu para 62,31%. Até agora, em 2022, a taxa está em 17,45%.

    “São números muito baixos, o ideal era ao menos 95%. Isso preocupa porque, com níveis baixos, a partir do momento da entrada do vírus no território, fatalmente vamos conviver com um surto”, coloca.

    A secretaria de Salvador também fez um alerta em relação à baixa cobertura vacinal contra o sarampo. Na capital, em 2019, a cobertura ficou em 71, 92%. No ano seguinte, em 68, 20%. Em 2021, uma queda acentuada para 24,11%. Com a campanha nacional em 2022, iniciada no dia 4 de abril, não somente a vacinação de crianças teve baixa adesão na capital.

    Os profissionais de saúde de até 59 anos também podem se vacinar, mas, por enquanto, apenas 23.153 deles se vacinaram, o que corresponde a 16,24%. Na Bahia, o percentual de vacinação dos profissionais de saúde na campanha está em 21,05%, representando 78.815 pessoas. Vale ressaltar que, para as crianças, a vacinação está sendo aplicada como um reforço, ou seja, mesmo aqueles que já se vacinaram devem ir aos postos novamente.

    De acordo com a coordenadora de imunização da Secretaria Municipal da Saúde, Doiane Lemos, a vacinação é a melhor forma de se proteger contra a doença. A gestora convoca pais e responsáveis a comparecerem aos postos de saúde para atualizar a situação vacinal das crianças.

    “Uma cobertura vacinal favorável é de suma importância para quebrar a cadeia de transmissão e evitar que o vírus circule em nossa cidade. Infelizmente, ainda temos uma adesão muito baixa à estratégia e isso nos preocupa ainda mais. É necessário que pais e responsáveis levem as crianças até os postos de saúde para regularizar a situação vacinal dos pequenos”, explicou.

    Os casos em investigação

    Os 25 casos de sarampo em investigação na Bahia estão distribuídos entre os municípios de Lauro de Freitas, Camaçari, Água Fria, Ipiaú, Alagoinhas, Aporá, Barreiras, Caculé, Castro Alves, Correntina, Ibotirama, Irecê, Taperoá e Vera Cruz. Segundo a Sesab, os casos estão sendo monitorados e, a partir de uma confirmação, o estado entrará em nível 1 de alerta de acordo com o Plano de Contingência do Sarampo.

    Em Vitória da Conquista, há três casos em investigação. Ao todo, já são 14 suspeitos no município, sendo 11 descartados. A vigilância epidemiológica do município emitiu um alerta para as unidades de saúde e tem reforçado a recomendação para que os profissionais de saúde e a população estejam em total alerta para qualquer caso suspeito de doença exantemática febril, relacionadas à erupções na pele.

    “Estamos aguardando o resultado dos outros três. Já fizemos o inquérito de bloqueio vacinal no território, ou seja, vacinamos as pessoas que tiveram contato com os suspeitos”, diz Ana Maria Ferraz, diretora de Vigilância em Saúde do município. O órgão atribui o aumento à retomada do convívio escolar e à baixa vacinação contra a doença. Em 2021, a cobertura vacinal contra a doença no município foi de 63,29%. Neste ano, a cobertura está em 10,71%.

    Os três casos estão em investigação em Vitória da Conquista ainda não entraram para o somatório total de 52 casos do estado feito pela Sesab. De acordo com a secretaria, os três devem ser adicionados ao sistema ainda esta semana, assim como casos de outros municípios que foram identificados durante a mobilização e busca ativa em curso.

    Em Taperoá, também há três casos em investigação com resultado de primeira amostra de sorologia reagente (positivo) para sarampo. “Para os três serão coletadas segundas amostras de sorologia para avaliar a produção de anticorpos e será processada PCR pelo Laboratório de Referência Nacional da Fiocruz, no Rio de Janeiro”, informa Adriana Dourado.

    A técnica de vigilância epidemiológica da Sesab explica os casos já descartados. “Primeiro são feitos testes de sorologia e, dando positivo, o de PCR. Tivemos alguns municípios com casos suspeitos que tiveram resultados preliminares de sorologia reagentes para sarampo. Imaginamos que são de uma reação cruzada entre vírus, ou seja, quando uma pessoa está infectada com outro vírus, como o da dengue ou da síndrome mão-pé-boca, e ele dá um falso resultado reagente ao ser cruzado com o vírus do sarampo”, diz.

    Será a volta do sarampo?

    O Brasil implantou, em 1992, o Plano Nacional de Eliminação do Sarampo e conseguiu alcançar, em 2016, o certificado da Organização Panamericana de Saúde (Opas). Mas houve retrocesso com a reinserção da doença no país em 2018. Na Bahia, foram registrados três casos de sarampo em Ilhéus em 2018 e, em 2019, houve um surto com 80 casos em 25 municípios.

    Os últimos casos de sarampo no estado foram registrados em 2020 (7 casos), assim distribuídos: Lauro de Freitas (2), Juazeiro (1), Belo Campo (1) e Paripiranga (2). Em 2021, não foram confirmados casos de sarampo no estado. Nos últimos anos, apesar do surto, de acordo com a Sesab, não foram registrados óbitos pela doença.

    O que é sarampo?

    De acordo com informações do Ministério da Saúde, o sarampo é uma doença altamente contagiosa causada pelo vírus chamado Morbillivirus, que pode ser muito perigosa, principalmente para as crianças menores de 5 anos, deixando sequelas ou causando óbito. A doença se dissemina pelo ar e a transmissão ocorre de uma pessoa para outra, por meio das secreções do nariz e da boca expelidas ao tossir, respirar, falar ou respirar.

    “É uma doença de alta transmissibilidade e alta mortalidade, principalmente entre crianças menores de 5 anos, mas também entre jovens de 20 a 29 anos. O potencial de transmissão do vírus do sarampo é de 1 para 18, ou seja, uma pessoa infectada pode infectar outras 18 pessoas. Numa comparação com a covid-19, por exemplo, a infecção é de 1 para 3”, destaca Adriana Dourado.

    Para as crianças, algumas das possíveis complicações são: pneumonia (cerca de 1 a cada 20 crianças com sarampo), otite média aguda (1 em 10 crianças com sarampo e pode resultar em perda auditiva permanente), encefalite aguda (1 em cada 1.000 crianças podem desenvolver essa complicação e 10% destas podem morrer) e morte (entre 1 e 3 a cada 1.000 crianças doentes).

    As complicações também podem ocorrer em adultos. A pneumonia é a principal delas. Outro alerta é para as gestantes: mulheres em idade fértil (10 a 49 anos) não vacinadas antes da gravidez podem apresentar parto prematuro e o bebê pode nascer com baixo peso. É importante se vacinar antes da gestação, pois a vacina é contraindicada durante a gestação.

    A única proteção eficaz contra o sarampo é a vacinação, para interromper a cadeia de transmissão do vírus e erradicar a doença. Os tipos de vacina são: Dupla viral - Protege do vírus do sarampo e da rubéola. Pode ser utilizada para o bloqueio vacinal em situação de surto; Tríplice viral - Protege do vírus do sarampo, caxumba e rubéola; Tetra viral - Protege do vírus do sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora).

    Segundo a técnica de vigilância epidemiológica da Sesab, as crianças recebem a primeira dose com 1 ano e a segunda aos 15 meses. “O ideal é que as pessoas até 29 anos tenham duas doses. Dos 30 aos 59, devem ter ao menos uma dose. Quanto aos idosos, é preciso que cada caso seja avaliado por um médico”, diz. Vale ressaltar que, se a pessoa não recebeu a dose na infância, pode e deve procurar um posto de saúde. Quem já teve sarampo e não se vacinou também deve se vacinar.

    Sintomas:

    Febre acompanhada de tosse
    Irritação nos olhos
    Nariz escorrendo ou entupido
    Mal-estar intenso
    Manchas vermelhas no rosto e atrás das orelhas que, em seguida, se espalham pelo corpo (aparecem em torno de 3 a 5 dias)

  • Entidades médicas esperam decisão da Anvisa sobre cigarro eletrônico

    Sociedades médicas brasileiras esperam que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decida ainda este ano manter proibida a importação e venda de cigarros eletrônicos no Brasil. Em 2009, a agência publicou resolução proibindo os chamados Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs), que agora passam por processo de discussão e atualização de informações técnicas.

    A Anvisa está na fase da Tomada Pública de Subsídios, aberta a receber informações técnicas a respeito dos cigarros eletrônicos. “Esperamos que até o fim do ano tenhamos essa decisão. Mas o nosso papel agora é entregar à Anvisa todas as evidências científicas comprovando os malefícios do cigarro eletrônico”, disse Ricardo Meirelles, da Associação Médica Brasileira (AMB).

    A AMB, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), têm se unido em torno da proibição do comércio dos cigarros eletrônicos. Essas entidades alertaram a Anvisa sobre os prejuízos desse aparelho e têm lutado contra a informação falsa dos fabricantes, que afirmam que o cigarro eletrônico é alternativa mais saudável ao cigarro convencional.

    “Vários estudos comprovam que os Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) causam danos à saúde. Eles podem causar irritação brônquica, inflamação em quem tem doença pulmonar obstrutiva crônica (Dpoc). Essas pessoas não podem usar o cigarro eletrônico de maneira nenhuma”, afirmou Meirelles.

    Aristóteles Alencar, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, explicou que esses aparelhos produzem partículas ultrafinas. Essas partículas conseguem ultrapassar a barreira dos alvéolos do pulmão e caem na corrente sanguínea, provocando inflamação. “Quando essa inflamação ocorre no endotélio, que é a camada que reveste internamente o vaso, pode dar início a eventos cardiovasculares agudos, como o infarto e a síndrome coronariana aguda, a angina do peito”.

    Esse tipo de cigarro, chamado de vapers pelos fabricantes, na intenção de desassociar à figura do cigarro, contém uma série de substâncias nocivas e cancerígenas. Eles trazem, em sua composição, substâncias como nicotina, propilenoglicol e glicerol, ambos irritantes crônicos; acetona, etilenoglicol, formaldeído, entre outros produtos cancerígenas e metais pesados (níquel, chumbo, cádmio, ferro, sódio e alumínio). Para atrair consumidores, são incluídos aditivos e aromatizantes como tabaco, mentol, chocolate, café e álcool.

    “O efeito protetor que se atribuía ao cigarro eletrônico não existe. Em países que liberaram esses produtos há crescente aumento de doenças cardiovasculares na população abaixo de 50 anos”, disse Alencar. “Diferente do cigarro convencional, que demora às vezes 20 ou 30 anos para manifestar doença no usuário, o cigarro eletrônico tem mostrado essa agressividade em menos tempo”, completou.

    Outra substância perigosa encontrada em muitos desses cigarros é o tetrahidrocarbinol, ou THC. “É a substância que leva à dependência do usuário da maconha”, explicou Meirelles. Segundo ele, os DEFs também podem conter óleo de haxixe e outras drogas ilícitas.

    Jovens e propaganda
    Adolescentes são alvos das fabricantes de cigarros eletrônicos. O design dos aparelhos e as essências oferecidas são pistas de que, apesar de indicarem o produto apenas a adultos, buscam chamar a atenção de jovens. A adoção de sabores mais infantis, a aplicação de cores na fumaça e até mesmo o design de alguns modelos não são atraentes ao público adulto.

    “A estratégia do sabor, por exemplo. Por mais que digam que não é um produto para criança, eu não conheço um adulto que use o sabor algodão-doce. Ele é bem caracterizado com essa ideia da juventude”, afirmou Sabrina Presman, da Associação Brasileira de Estudo de Álcool e Outras Drogas (Abead).

    Ela também cita a semelhança do aparelho com itens de uso diário de um estudante, como canetas ou pen drives. “O próprio formato do cigarro eletrônico se confunde com as coisas do jovem. Ele é mais moderno e muitos pais não conseguem identificar o que é caneta, o que é lápis e o que é cigarro”.

    Paulo César Corrêa, coordenador da comissão de tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), destacou que esses produtos são apresentados com slogans que tratam o cigarro convencional como ultrapassado e nocivo. A ideia é afastar essa má publicidade dos cigarros eletrônicos. Segundo ele, existem evidências de que há três vezes mais chances de pessoas que nunca fumaram passarem a fumar regularmente cigarros convencionais depois de usarem esses aparelhos.

    Corrêa também alertou sobre a estratégia da indústria de cigarros eletrônicos em vender uma informação de que esse tipo de produto é menos nocivo que o cigarro convencional e que, portanto, trocar para os cigarros eletrônicos seria uma alternativa mais saudável. Ele, no entanto, alerta: cigarros eletrônicos não são apenas feitos de vapor e água.

    “Ainda que não tenhamos a descrição completa dos riscos epidemiológicos, as evidências já existentes permitem dizer que o produto é extremamente perigoso e danoso à saúde individual e à saúde pública”.

    Cigarro eletrônico
    Os cigarros eletrônicos são aparelhos alimentados por bateria de lítio e um cartucho ou refil, que armazena o líquido. Esse aparelho tem um atomizador, que aquece e vaporiza a nicotina. O aparelho traz ainda um sensor, que é acionado no momento da tragada e ativa a bateria e a luz de led. Mas nem todos os cigarros eletrônicos vêm com luz de led.

    A temperatura de vaporização da resistência é de 350°C. Nos cigarros convencionais, essa temperatura chega a 850°C. Ao serem aquecidos, os DEFs liberam um vapor líquido parecido com o cigarro convencional.

    Os cigarros eletrônicos estão em sua quarta geração, onde é encontrada concentração maior de substâncias tóxicas. Existem ainda os cigarros de tabaco aquecido. São dispositivos eletrônicos para aquecer um bastão ou uma cápsula de tabaco comprimido a uma temperatura de 330°C. Dessa forma, produzem um aerossol inalável.

    “Esses aparelhos expõem o usuário a emissões tóxicas, muitas das quais causam câncer”, explicou Cláudio Maierovitch, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva.

    Outro tipo de DEF se parece com um pen drive. São os sais de nicotina (nicotina + ácido benzóico). Esse tipo de cigarro provoca menos irritação no usuário, facilitando a inalação de nicotina. E, assim, provoca maior dependência. Os usuários desse aparelho têm pouca resposta ao tratamento convencional da dependência da nicotina. “Usar um dispositivo desse com 3% a 5% de nicotina equivale a fumar de dez a 15 cigarros por dia. Dispositivos com 7% de nicotina equivalem a mais de 20 cigarros por dia, cerca de um maço de cigarros”, disse Meirelles.

  • Construção civil na Bahia já emprega mais do que antes da pandemia

    Mesmo com a alta da inflação no país, o setor de construção civil cresce na Bahia e já é o segundo estado que emprega mais do que no período pré-pandemia. Em fevereiro de 2020 eram 114 mil vagas formais, enquanto que no mesmo mês deste ano, o número saltou para 133 mil, o que representa um aumento de 15%. Enquanto isso, a capital Salvador ocupa o lugar de terceira cidade que mais gerou empregos formais nos dois primeiros meses de 2022, foram 3.043, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.

    Os dados foram divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) durante um evento realizado na tarde de quarta-feira (27) na sede do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon-BA). Para se ter noção da importância do setor para a engrenagem da economia, 7,35% do total de trabalhadores formais no estado estão empregados na construção civil, de acordo com o Ministério do Trabalho.

    “Hoje a construção civil no Nordeste emprega 20% a mais trabalhadores do que no período anterior à pandemia e isso acontece na Bahia também [...] O estado ganhou mais de 20 mil trabalhadores com carteira assinada, ou seja, é um mercado importante de geração de emprego e renda”, afirma Iêda Vasconcelos, economista da CBIC.

    Seguindo a linha do setor aquecido, Salvador é a capital do Nordeste que mais lançou unidades residenciais no ano passado, foram 5,6 mil. Apesar disso, a cidade ocupa o quinto lugar no ranking de capitais que mais vendeu na região, segundo dados da consultoria Brain. Fábio Tadeu Araújo, sócio-dirigente da Brain, explica que um dos motivos que explica o fato de Salvador não ter vendido tanto quanto lançou é a baixa unidade de estoque.

    “Fortaleza começou o ano passado com um estoque maior, eram cerca de 6 mil unidades em estoque. Enquanto Salvador tinha 4 mil unidades em estoque, então um dos fatores que explica Fortaleza ter vendido mais é que lá eles tinham mais o que vender [...] Salvador demorou para eliminar estoque ano passado, então faltou tempo para o lançamento. Falta muito produto em Salvador”, afirma Fábio Tadeu.

    Um dos motivos que contribuíram para o cenário positivo do setor em 2021 na Bahia foi o decreto presidencial que tornou a construção civil um tipo serviço essencial durante a pandemia, em maio de 2020. “Temos que falar da importância que foi para o Brasil e para o emprego a construção civil não ter parado. Nós aumentamos em 15% a quantidade de empregos nesse período, o que é muito significativo”, diz o presidente da CBIC, José Carlos Martins.

    As boas notícias sobre maior geração de postos de trabalho, especialmente no setor de construção de edifícios, deve esbarrar em um grande problema nos próximos meses: o aumento no preço dos insumos. A construção civil convive com significativas elevações de custos por conta de problemas na indústria durante a pandemia.

    Entre julho de 2020 e março deste ano, pelo menos sete insumos imprescindíveis tiveram aumento de mais de 75% na capital baiana. A grande vilã é a chapa de compensado, que já acumula alta de 101%, ou seja, está valendo o dobro. Em seguida vem a fechadura para porta interna (98%), aço (96%) e vidro liso transparente (87%). A alta dos preços é muito acima da inflação brasileira, que está em 11,30% no acumulado dos últimos 12 meses, até março.

    “A inflação da construção civil é muito maior do que a inflação do Brasil, então, os salários são reajustados pela inflação oficial, que está na faixa de 10%, aqui nós não temos inflação abaixo de 30%. É por isso que as famílias estão perdendo a capacidade de compra. Existe preocupação hoje dos empresários se vão conseguir dar conta de vender os lançamentos”, explica José Carlos Martins.

    A elevação dos preços, no entanto, ainda não foi completamente repassada aos consumidores finais, aqueles que compram os imóveis. Isso pode ser explicado por um ditado muito usado por quem trabalha no setor: “a obra de hoje é o contrato de ontem”. Ou seja, as obras que foram realizadas ao longo de 2021 e no primeiro trimestre deste ano são fruto do ciclo de negócios iniciado em julho de 2020, quando a alta de preços não era tão significativa quanto agora.

    Entre as cinco cidades analisadas pelo CBIC, Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte, a capital baiana se destaca por ser a que menos aumentou o valor dos imóveis residenciais. Houve um incremento de apenas 6% nos valores dos imóveis vendidos na cidade no primeiro trimestre de 2022, em comparação com o período do ano anterior, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção.

    Imóveis devem ter elevação de preços nos próximos meses

    Se até agora os empresários não tinham necessidade de fazer um repasse maior do aumento do preço dos insumos, a partir de agora não tem mais jeito, os preços dos imóveis vão subir, é o que garantem os especialistas.

    “É impossível lançar um empreendimento hoje com o mesmo custo que você tinha em março do ano passado ou em março de 2020. Mediante ao baixo volume de novas unidades disponíveis para comercialização, que é o estoque, e a demanda continua consistente, a tendência é de aumento de preços. Não tem como fechar a conta”, explica Iêda Vasconcelos.

    Apesar dos especialistas não precisarem quando a alta de preços deve começar a ser sentida em Salvador, o presidente do Sinduscon-BA, Alexandre Landim, é claro: “A hora de comprar imóveis é agora”. Ele destaca, no entanto, que a inflação não é benéfica para nenhum dos lados e afirma que uma saída está sendo não priorizar as indústrias nacionais e comprar insumos onde os preços estão mais em conta.

    “Ninguém ganha com a inflação, por isso não é do nosso interesse aumentar o preço dos imóveis e nem oportunizar isso. Mas hoje nós temos esse problema complexo [...] Estamos hoje, na construção civil, experimentando o que todo mundo já faz, que é comprar onde está mais barato no planeta globalizado”, diz Alexandre Landim.

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